O Homem do Futuro (2011)
A premissa de “Homem do Futuro” é a mais simples possível, mas nem por isso o filme se torna ruim, chato ou bobo demais. Ele é, sim, bobo na medida certa e brinca com o velho clichê da volta no tempo para retomar um amor perdido.
O filme conta a história de João “Zero” (Wagner Moura), um cientista que, com a ajuda do amigo Panda (Fernando Ceylão), constrói uma máquina do tempo e volta 20 anos na história para retomar o amor de sua vida, Helena (Aline Moraes).
O roteiro e a direção ficam a cargo de Claudio Torres, responsável pelo fraquinho “Mulher Invisível”. Mas aqui não. Ele parece que se despiu dos exageros cometidos no filme anterior e deu a “O Homem do Futuro” uma cara mais real, uma história mais tangível. Não que um filme com pegada de ficção científica precise ter um background realista, mas é bem interessante que Zero trabalhe numa universidade e faça parte de um projeto real, que é o acelerador de partículas. O pano de fundo da trama é muito bem resolvido, os personagens secundários bem estabelecidos para darem lugar ao que realmente interessa: o amor de Zero e Helena.
Nesse ponto o filme é corretamente classificado como comédia romântica e, por isso, é possível ver o lado ruim dessa alcunha, mas que não inviabiliza a história. Digo ruim o fato do filme, inexoravelmente, ter que apelar para alguns clichês, como a historinha de amor improvável, o vilãozinho caricato e o final batido. Aliás, a premissa já é um clichê, mas isso não é um problema em si. Veja, por exemplo, “A Ressaca” (leia a crítica aqui), que tem uma condução de história parecida com a do filme nacional, mas se perde um pouco nos exageros. Ainda assim, “O Homem do Futuro” consegue se sustentar na ótima condução da trama, mérito dividido entre o roteiro afiado e a direção segura. O roteiro aqui é de extrema importância, pois estamos falando de um filme de viagem no tempo e, para piorar, Zero aparece em três dimensões diferentes – o que, convenhamos, é um desafio tremendo para a construção de Torres. Mas ele consegue. Dá o tom certo de comédia escrachada, quando tem de ser, e apela para o ótimo timing de piadas de seu elenco.
Elenco esse que é um dos pontos altos do filme. Wagner Moura chega no limite do exagero, faltando apenas 1 centímetro para se tornar caricato. Mas não é isso que acontece. O limiar balança, mas Wagner segura a peteca. Essa questão é muito bem trabalhada, principalmente porque temos a variação entre os vários Zeros e, claro, cada um tem uma conduta específica. Aline Moraes também acerta, embora sem muito brilho especial, assim como Maria Luisa Mendonça e Fernando Ceylão.
A trama é bem divertida e leva realmente o espectador a uma viagem no tempo. A marcação das cenas com as músicas é um trabalho digno de aplauso, pois elas sempre aparecem no momento certo. Um sinal de que o filme funciona é que em alguma medida o espectador torce para um final feliz, mas a trama não entrega exatamente isso de antemão. O final, com aquele cruzamento de tempos e zeros, atrapalha um pouco essa ideia e até a última cena não sabemos exatamente se Zero e sua turma se darão bem.
